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   CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DE CÂNTICOS
Crit�rios para escolha de c�nticos
 
Considerando que, na Igreja, a m�sica � serva da Liturgia, e ainda que a melodia serve de suporte ao texto que � cantado, nunca se autonomizando nem sobrepondo a ele,  atender �s seguintes quest�es:
 
 
  1. C�nticos para que contexto? 
Uma coisa � escolher c�nticos para uma celebra��o eucar�stica, outra coisa � escolher c�nticos para um encontro de conv�vio, outra ser� escolher c�nticos para um �fogo de conselho�, etc..
Na verdade, quando falamos em �c�nticos�, estamos a pensar frequentemente em simples �can��es� ou �m�sicas�… N�o entrando de momento nessa quest�o, vamos apenas falar genericamente de �c�nticos�.
Contudo, importa aqui definir se se trata de escolher c�nticos para a Liturgia, ou n�o. Se o contexto for uma celebra��o lit�rgica (Missa, Sacramento do Matrim�nio, Sacramento do Baptismo, Liturgia das Horas, etc.), deve-se, por princ�pio, escolher c�nticos lit�rgicos.
Se o contexto n�o for uma celebra��o lit�rgica, h� muito mais liberdade de escolha, no que diz respeito ao �tipo de c�nticos� e, provavelmente n�o ser� necess�rio, nem adequado, escolher c�nticos lit�rgicos.
Se o c�ntico for escolhido para Promessas Escutistas, isso deve ser tido em conta, sublinhando, por exemplo o valor da Alian�a e do compromisso, estabelecendo a liga��o entre o momento celebrado e a Nova e Eterna Alian�a de Deus com os homens, em Cristo.
Se se trata de uma Vig�lia de Ora��o que antecede as Promessas, os c�nticos devem conduzir ao esp�rito adequado, podendo, por exemplo, ajudar a reflectir na caminhada realizada e na miss�o esperada.
Se for para o final de um ano de actividades, isso tamb�m � relevante, podendo geralmente ter um esp�rito de ac��o de gra�as pelas coisas boas realizadas, e tamb�m de perd�o pelo que n�o foi feito, ou n�o foi bem feito.
Se for para a Primeira Comunh�o de alguns escuteiros na par�quia, junto com outras crian�as, isso tamb�m � relevante, devendo nesse caso usar-se c�nticos profundamente eucar�sticos, etc..
Se os c�nticos forem usados no Tempo lit�rgico da Quaresma, devem reflectir na melodia/harmonia, e no texto, o esp�rito penitencial pr�prio da Quaresma e, como se sabe, os instrumentos musicais s� devem ser a� usados para sustentar o canto. Uma celebra��o dentro do Tempo Pascal tem um ambiente completamente diferente, e os c�nticos devem traduzir essa diferen�a.
O rito a que se destina um c�ntico tamb�m � factor relevante na escolha deste. E, se � verdade que alguns c�nticos podem servir diferentes ritos, outros n�o. H� c�nticos para a Comunh�o, Apresenta��o dos Dons, Rito da Aspers�o, Entrada, Final, Ordin�rio da Missa (Rito Penitencial, Aclama��o do Evangelho, Santo, Cordeiro de Deus, etc..), entre outros.
 
 
  1. C�nticos com que texto? 
Se se tratar de celebra��es lit�rgicas, s�o sempre de preferir os c�nticos compostos sobre textos b�blicos ou de inspira��o b�blica. Cantar a palavra de Deus ser� sempre superior a cantar a palavra dos Homens… Quando isso n�o for poss�vel, procure-se escolher os c�nticos com letras mais pr�ximas dos textos b�blicos e, sobretudo, traduzindo um esp�rito semelhante.
De novo � importante relacionar o texto com o rito a que se destina o c�ntico.
Fora do contexto lit�rgico, h� sem d�vida lugar para uma maior diversidade, ao sabor da criatividade dos nossos �poetas� contempor�neos, muitas vezes escuteiros como n�s.
 
 
  1. C�nticos para que Assembleia?
� importante conhecer a Assembleia, ou grupo, em que se vai usar um determinado c�ntico. H� aspectos muito espec�ficos, em diferentes Assembleias, que s�o determinantes na escolha de c�nticos adequados.
Por exemplo, se tivermos uma celebra��o da missa apenas com Lobitos, os c�nticos devem ter, se poss�vel, uma linguagem mais adequada a essas idades. Se, ao inv�s, se tratar de uma missa apenas com adultos, isso tamb�m deve ser tido em conta, para, por exemplo, n�o infantilizar a celebra��o. Alguns gestos que acompanham alguns �c�nticos� podem ser oportunos em algumas celebra��es, e completamente inoportunos noutras. � preciso discernir…
Analogamente, � relevante saber se a Assembleia � constitu�da s� por escuteiros, ou se conta com outros crist�os. No caso de uma Assembleia �mista�, ordin�ria, n�o ser� oportuno usar c�nticos com refer�ncias expl�citas a temas ou figuras escutistas, sob pena de o canto a� ser elemento divisor, e n�o de comunh�o.
 
 
  1. C�nticos cantados por quem?
N�o adianta ter um projecto muito ambicioso, se depois n�o houver quem o execute. Uma pessoa pode animar uma Assembleia mas, regra geral, em Portugal n�o existe muito esse costume. Felizmente mantemos o h�bito de ter um coro nas celebra��es. Ora, � importante n�o esquecer que caber� ao coro a miss�o de conduzir a m�sica na celebra��o, envolvendo a Assembleia.
Na liturgia, o coro, que j� � parte da Assembleia, � como que o �motor� da Assembleia, e n�o um elemento aut�nomo que visasse dar algum tipo de �concerto� ou �espect�culo�. Por isso, os coros devem ser humildes e procurar que, atrav�s da sua colabora��o, a celebra��o seja enriquecida e muito participada. Da participa��o de todos, segundo o seu minist�rio, depende a solenidade da celebra��o. Portanto, o coro deve apenas ajudar toda a Assembleia a cantar.
Os c�nticos devem ser escolhidos contando tamb�m com este elemento: o coro que os vai executar. � sempre prefer�vel cantar c�nticos mais simples, se sa�rem bem, do que tentar executar pe�as muito dif�ceis, que depois s�o muito mal executadas.
No trabalho de prepara��o de um coro, � importante ter objectivos elevados, para aumentar a qualidade, mas � importante n�o perder a sobriedade do real.
 
 
  1. C�nticos acompanhados de que instrumentos?
Na linha do que o Conc�lio Vaticano II afirmou sobre esta mat�ria (SC 120), o �rg�o de tubos � o grande instrumento lit�rgico da Igreja. Contudo, o entendimento das diferentes realidades culturais e sociais permite a interpreta��o de que outros instrumentos podem ser usados (SC 37). No fundo, respeita-se uma valiosa e ancestral tradi��o, sem deixar de manifestar abertura � novidade de cada circunst�ncia e de cada tempo.
Neste aspecto, � importante recordar que n�o estamos apenas a falar de celebra��es eucar�sticas, nem de contextos lit�rgicos. No entanto, mesmo na Liturgia, os escuteiros usam frequentemente outros instrumentos al�m do �rg�o, por v�rios motivos.
� importante afirmar o seguinte: a forma como cada instrumento � tocado pode determinar a leg�tima concess�o do seu uso na Liturgia, desde que isso n�o provoque esc�ndalo ou distrac��o na Assembleia, desde que n�o se sobreponha ao canto, desde que se enquadre no esp�rito lit�rgico da celebra��o e no respectivo rito e, antes de tudo, desde que o Presidente da Celebra��o o aceite previamente.
N�o esque�amos que, no Antigo Testamento, encontramos refer�ncias ao uso de flautas, c�mbalos, harpas, liras, etc., nas celebra��es cultuais. Recordemos, igualmente, que durante v�rios s�culos, o canto na liturgia era executado a cappella, isto �, sem o acompanhamento de instrumentos musicais e, durante s�culos, sem sequer o recurso da polifonia. Por isso, reconhecendo o lugar que o �rg�o de tubos adquiriu, � importante n�o perder de vista a diversidade de express�es que sempre caracterizou a vida lit�rgica na Igreja. A aplica��o dos crit�rios, sob ju�zo dos Bispos ou Presb�teros respons�veis pelas celebra��es, garantir� a coes�o do Corpo que formamos.
 
 
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