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   QUARESMA é...

Quaresma � uma palavra de origem latina. Significa quarenta dias, ou seja os quarenta dias de prepara��o para as festas pascais, recordando-nos o tempo que Jesus passou no deserto antes de come�ar a sua miss�o p�blica: �ent�o Jesus, conduzido pelo Esp�rito Santo, foi para o deserto a fim de ali ser tentado pelo diabo. Depois de passar quarenta dias e quarenta noites sem comer, Jesus teve fome� (Mt 4,1-2).

1. A Igreja prepara-se para a P�scoa

  • J� no s�culo II os crist�os faziam uma breve prepara��o para a P�scoa. � no s�culo VI que se generaliza por toda a Igreja a pr�tica da Quaresma, indo da quarta-feira de Cinzas � quinta-feira santa, dia em que tem in�cio o Tr�duo Pascal.
  • Era o tempo forte de prepara��o dos candidatos para o Baptismo, que recebiam o sacramento da vida nova em Cristo na noite de P�scoa. Actualmente voltou a ser a Vig�lia Pascal o momento privilegiado para acolher os novos irm�os, ocasi�o favor�vel para todos os crist�os celebrarem a renova��o das suas promessas baptismais.
  • Era a prepara��o para a Reconcilia��o dos pecadores p�blicos, que se celebrava na tarde de quinta-feira santa. Hoje vivido de outro modo, continua a ser um tempo prop�cio � renova��o pessoal e comunit�ria pelo arrependimento, a celebra��o do perd�o e da reconcilia��o, de modo que morrendo com Cristo para o pecado, possamos ressuscitar com Ele para a vida nova dos filhos de Deus.
  • As pr�ticas podem-se ter modificado ao longo dos s�culos, mas a Quaresma permanece para toda a comunidade dos crist�os um dinamismo profundo de Convers�o � Boa Nova de Jesus ressuscitado.
  • Porqu� 40 dias? � o algarismo que na B�blia simboliza uma vida, uma gera��o, logo o tempo de uma vida de encontro, rela��o, luta e de uma descoberta do aut�ntico sentido da vida.
 
 
2. Os crist�os recordam e fazem
 
Uma travessia do deserto
Recordamos a longa marcha dos Hebreus no deserto, desde a sa�da do Egipto (a liberta��o da escravatura) � entrada na Terra Prometida. Esta travessia durou 40 anos, durante os quais se constituiu o Povo de Deus: �V�s sereis o meu Povo e Eu serei o vosso Deus� (Ez 36,28).
 
Uma busca de Deus
40 dias e 40 noites: este foi o tempo de perman�ncia de Mois�s com Deus no Sinai quando lhe foram confiados os Dez Mandamentos (cf. Ex 24,18). Este foi o tempo que o profeta Elias levou para chegar ao Horeb, o monte de Deus (cf. 1Re 19,8).
 
Um combate contra as for�as do mal
As �guas do Dil�vio levaram 40 dias e quarenta noites para cobrir toda a terra (Cf. Gn 7,11), o mesmo tempo que foi dado por Deus aos habitantes de N�nive para ser converterem pela prega��o de Jonas (Jn 3-4). E � durante 40 dias e 40 noites que Jesus fica no deserto para alcan�ar a vit�ria sobre as for�as do mal, representadas em tr�s tenta��es: a posse dos bens deste mundo, o culto aos falsos deuses e o orgulho dominador.
 
 
3. Tempo forte da vida dos crist�os
 
A Quaresma convida os crist�os ao seguimento de Jesus, interpelados a imitar o seu Mestre que lhes diz: �Vinde comigo� (Mc 1,17) e �amai-vos uns aos outros como eu vos amei� (Jo 13,34). Como Ele, os crist�os escutam a Palavra de Deus para responder numa obedi�ncia de comunh�o. Escutam com mais aten��o a Palavra de Deus para iluminar a vida em cada dia. Os crist�os procuram responder plenamente ao projecto de reconcilia��o e comunh�o que est� presente na ora��o de Jesus: �Que eles sejam um em n�s� (Jo 17,21).
 
Os crist�os, durante a Quaresma, s�o mais fortemente chamados a rever a sua vida e a verdade com que vivem a sua condi��o de baptizados. Fazem-no pela ora��o, o jejum e a caridade (ou esmola) (cf. Mt 6,1-18).
 
A Quaresma � tamb�m um tempo intenso de ora��o, tempo de reflex�o individual e com os irm�os. � tempo de Convers�o, isto �, de mudan�a de vida (pensamentos, atitudes, crit�rios…) pelo confronto com o Evangelho e com Cristo.
 
A Igreja pede a observ�ncia do jejum:
  • Como sinal de entrega humilde nas m�os de Deus;
  • Como exerc�cio de dom�nio de si pr�prio;
  • Como pr�tica da solidariedade com os que nada t�m;
  • Como desprendimento.  �Nem s� de p�o o homem vive� (Mt 4,4)
 
A quarta-feira de Cinzas e a sexta-feira Santa s�o dias de jejum e abstin�ncia. Al�m disso, todo o tempo � prop�cio a essas pr�ticas penitenciais, realizadas com um aut�ntico sentido evang�lico, sem hipocrisias ou exageros. Na semana crist�, a sexta-feira � o dia penitencial por excel�ncia e o Domingo � o dia n�o-penitencial. Por isso, a pr�tica penitencial na Quaresma deve respeitar esse ritmo da Igreja.
 
A Quaresma � ocasi�o de numerosas iniciativas de ajuda m�tua: partilhas fraternas muito discretas, ren�ncia quaresmal a favor de algo ou algu�m, gestos e palavras de solidariedade e companhia, campanhas p�blicas em situa��es de urg�ncia e de grande necessidade.
 
 
Para saber mais:
AUTORES V�RIOS, A Celebra��o do Mist�rio Pascal – Quaresma, X Encontro Nacional da Pastoral Lit�rgica, edi��o do Secretariado Nacional de Liturgia, Jan/Dez de 1985.
 
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