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   ACOLHER A VIDA


Haverá coisa mais bela no mundo do que acolher o dom da vida?...

Quando os jovens casais experimentam a maravilha da paternidade e maternidade, percebem estar diante de um mistério que os ultrapassa: trata-se, sem dúvida, de um dom de Deus. Por muito meritória que seja a vida dos pais, este dom inefável está acima de todo o merecimento. Nada está à altura da pura gratuidade presente no nascimento de uma nova vida humana.
No mundo há várias e graves ofensas à vida mas, invariavelmente, derivam de atitudes defensivas e até, por vezes, exacerbadas, por parte de pessoas que se sentem, de alguma forma, ameaçadas no seu aparente status quo.
A vida é o primeiro dom que Deus oferece aos seus filhos. Consequentemente, a vida é já expressão do Amor de Deus pelos homens, e em cada um de nós há, por isso, de forma misteriosa, a presença de Deus.
No caso dos cristãos, essa presença converte-se em relação amorosa da qual brota uma nova forma de viver, alimentada na Palavra e nos sacramentos, vivida pessoal, mas comunitariamente, em Igreja, traduzida numa moral de inspiração evangélica e numa vida ao serviço dos outros, à imagem de Jesus Cristo.
Contudo, se é admirável o nascimento de uma vida humana, mais admirável ainda é o nascimento de Cristo! Na incarnação do Verbo de Deus está presente não apenas uma imagem do Amor de Deus, mas o próprio Amor de Deus.
Como referia um dos grandes teólogos do século XX, Hans Urs von Balthasar, «Cristo é o abraço de Deus à humanidade». Em Cristo estabelece-se a ponte definitiva entre os céus e a terra, para que, acolhendo Deus entre os homens, os homens possam chegar até Deus.
O mistério celebrado no Natal abre diante de nós um novo horizonte de vida: no menino de Belém reconhecemos o cumprimento das promessas de Deus ao seu Povo; encontramos a razão da nossa esperança; acolhemos o projecto de salvação que Deus quer propor aos seus filhos.
A celebração cristã do Natal não nos pode deixar indiferentes: pelo contrário, estimula-nos a corresponder, em tudo e sempre, ao plano divino para a nossa vida.
Com o Natal aprendemos a hierarquizar valores. Percebemos que a vida humana é um valor absoluto que deve ser defendido em todas as fases, mesmo quando não corresponde ao que sonhámos. Quando as forças nos faltam, confiamos no poder de Deus, a Ele entregando o que temos e somos!
Com o Natal descobrimos a presença de Deus nos outros, em especial nos que sofrem, nos que foram abandonados, nos que vivem tristes, perdidos e infelizes. O acolhimento de Deus-Amor projecta-nos para os outros e faz de nós missionários da caridade de Deus.
Com o Natal aceitamos fazer caminho com o Messias. O caminho é, porventura, longo…mas é caminho de salvação e conduz à vida em abundância. O presépio e o calvário estão, neste intinerário, estreitamente ligados, fazendo ambos parte da missão de Cristo na terra mas, quer num quer noutro, prevalece o Amor de Deus. Celebrar o Natal é acolher esse Amor!

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