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   ESCUTISMO E CATEQUESE
 

A relação entre «Escutismo» e «Catequese» está claramente definida no Regulamento Geral do CNE: recomenda-se que, ao nível dos Agrupamentos, a relação com a Catequese Paroquial seja alvo de particular cuidado, e que os assistentes e dirigentes leigos se esforcem por viver, e por que todos os Escuteiros vivam, a graça baptismal, «participando de forma adequada a cada Secção, nos normais meios de santificação, na Catequese, nos Sacramentos da Iniciação Cristã e da Reconciliação e no Serviço Fraterno» (Artº. 9, 3e),7). Não obstante, é frequente haver algumas tensões sobre esta temática a nível local. Apresento, por isso, três pontos para reflexão:
 
1. O Regulamento pressupõe que os Agrupamentos reconhecem a sua pertença a uma determinada comunidade eclesial, e que compreendem o seu papel na educação integral de crianças e jovens, em harmoniosa articulação com outros movimentos ou grupos de âmbito paroquial. Sem isso, não é possível um trabalho verdadeiramente eclesial, pois a Igreja é essencialmente comunhão. Assim, todos os conflitos e tensões, eventualmente existentes, devem ser geridos com base no princípio da comunhão e do respeito mútuo pelo valor e especificidade de cada uma das partes. A existência de um Conselho Pastoral Paroquial pode ser preciosa no sentido de harmonizar as diferentes iniciativas pastorais.
2. Se é verdade que a Catequese deve ser alvo de particular cuidado, também é certo que «Escutismo» não se confunde com «Catequese». Nada obsta a que algumas actividades escutistas sejam especificamente catequéticas, mas o Escutismo tem objectivos diferentes dos da Catequese e, não há motivo que justifique a fusão de um no outro. Por vezes os Animadores adultos, preocupados com as dificuldades de compatibilidade de horários, optam por criar espaços de Catequese sistemática, para as crianças e adolescentes que pertencem ao Agrupamento. Em regra, essa não será a melhor opção mas, evidentemente, caberá aos responsáveis locais perceber se é essa a única opção viável.
3. Longe vão os tempos em que se considerava que a Catequese era actividade exclusivamente infantil, embora ainda subsista a identificação com o percurso de 10 anos proposto nas paróquias. A chamada «Catequese de Adultos» está ainda por implementar devidamente entre nós. O tempo presente exige um esclarecimento da fé professada e uma clarificação das opções de vida, à luz dessa mesma fé. Não há lugar para os «mornos». Enquanto as vozes de «fora» continuam a sublinhar, com visível regozijo, que as igrejas estão cada vez mais vazias, crescem comunidades eclesiais, porventura numericamente menos expressivas, mas dotadas de mais sólidos alicerces. É essa a meta a alcançar! O resto, virá a seu tempo, segundo os desígnios do Espírito Santo. Entretanto, seria oportuno perguntar como está a formação cristã dos Dirigentes do CNE e, seria igualmente pertinente questionar que estratégias de aprofundamento da fé são planeadas no âmbito da vida escutista. Como se diz popularmente, «ninguém pode dar aquilo que não tem!...». B-P dizia: «até à altura em que assentemos a nossa educação numa base mais espiritual, em vez de nos contentarmos com o mero desempenho académico; em formarmos mais o carácter para além dos conhecimentos básicos, a única coisa que teremos é o verniz» (Baden-Powell, Escola da vida, p. 75). Sem formação cristã permanente podemos mesmo não ir além do «verniz»!... Depois de 6 anos de caminhada de Renovação da Acção Pedagógica isso seria, sem dúvida, muito pouco! Por isso, caros Dirigentes, coloquemos «mãos à obra»!

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