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 A História de Dinis Vaz

Numa bela manhã de Maio, em meados de do séc. XV, o jovem Dinis, acordou sobressaltado, com um arrepio gelado seguido de uma porta a bater estrondosamente. O rapaz levantou-se rapidamente e saiu do quarto em camisa de dormir. Naquele casarão frio e desconfortável, qualquer ruído soa a um suspiro moribundo e qualquer sombra passa por um vulto cruel… Dinis vivia numa casa enorme, na herdade da família Vaz. Vários quartos, toda a madeira envernizada e coberta com sedas orientais riquíssimas. O mármore, o ouro e o marfim, fotografias e brasões de família. Dinis era filho único e viva sozinho com a mãe, desde da morte dos avós e da recente partida do pai, para uma terra distante, até agora desconhecida. Desceu pelas escadas, pé ante pé, até ao salão principal, ouvia-se uma mulher chorar... Ao chegar ao salão, rapidamente reconheceu a mulher, era a sua própria mãe, que chorava, desgrenhada e inconsolável, perante dois homens fardados, os quais aparentemente faziam parte da tripulação de uma embarcação real.

- Mãezinha, o que se passa? – perguntou o pequeno, já assustado.
- Menino, vá imediatamente para o seu quarto, não faça perguntas, amanha a sua mãe, D. Esperança explica-lhe tudo.
Ainda suspeitando, sem saber se fazia bem ou mal, Dinis olhou para a mãe, à procura de um sinal de aprovação, a mãe acenou afirmativamente ligeiramente a cabeça e o rapaz foi-se deitar. Apesar de ser uma noite em branco, passou depressa e, num piscar de olhos o sol começou a entrar pelas cortinas. O que esperar, agora que ia saber tudo o que se tinha passado na noite anterior? Não seria certamente uma boa notícia, pois a mãe estava de rastos. Fora algo que ele fez?! Não, Dinis era um rapaz educado, bom aluno e obediente.
- Dinis, veste-te e chega aqui! – disse a mãe logo de manhã, sem mais demoras. A mãe estava no quarto, o menino entrou silenciosamente e sentou-se na cama, ao lado da mãe, ansioso.
- Calculei que estivesses impaciente, para saberes o que se passou ontem. Aviso-te já, é um assunto que te diz respeito, mas que te vai entristecer profundamente o coração. Fiquei ontem saber, por meio daqueles senhores, que o teu pai faleceu. Infelizmente, a expedição onde seguia, cujo destino não nos pode ser revelado, cruzou-se com uma tempestade, e a embarcação não resistiu, deram ontem à costa os destroços, em Marrocos. Não poderemos fazer um funeral ao teu querido pai, mas já mandei chamar o pároco da vila, para vir dar paz à sua e as nossas almas.
- Mãezinha, lamento muito pelo pai. Será para sempre um exemplo para mim…
Os anos passaram, Dinis cresceu, tornou-se um homem bonito e maduro. Ele fazia nesse dia dezoito anos e, iria por isso sair de casa, com a promessa de voltar com uma família constituída e um emprego fiável, para alegria da mãe, que infelizmente tinha adoecido gravemente há pouco tempo, com cólera. A mãe mandou-o chamar e falou-lhe com a voz fraca e já quase sem folgo:
- Meu filho, neste dia em que te tornas um homem, tenho de te dar uma coisa: o teu pai, deixou-te esta carta, e pediu-me que te a entregasse no dia em que fizesses dezoito anos – a carta caiu no chão e, foi este o seu último suspiro.
Após alguns dias de luto, o jovem pegou na carta do pai e foi se sentar num banco do jardim, onde o sol batia com clareza, a lê-la por entre soluços e lágrimas. Quando o rapaz acabou de ler a carta, tinha um olhar determinado… Estava decidido a cumprir o desejo do Pai. Fez as malas e partiu rapidamente, sem dizer a ninguém. Saiu com vontade de aventura e muita convicção. Será que conseguiu chegar ao seu destino e encontrar o ouro dos “Cofres de Pernambuco”? De certo não o conseguirá sozinho, vai precisar de toda a Flotilha. Sempre Mais Além!

FIM

Tripulação Baleia
Março de 2008

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