ESCUTISMO - SCOUT VS ESCUTA <<

"A nossa associação adoptou para si o vocabulário inglês scout. A meu ver, houve um pouco de precipitação na escolha desse vocabulário. Se fosse hoje, estou convencido que se optaria pelo seu correspondente português, escuta. Scouting já não achou tão bom terreno e hoje está generalizado ou vai-se generalizando à palavra Escutismo que de Escuta deriva. É pois razoável que se emende à mão e que recorramos ao termo português para designar a associação. Porque não há de ela chamar-se Corpo Nacional de Escutas?"

Lobo da Penha, in Flor de Lis de Dezembro de 1928

Este texto, publicado na Flor de Lís, levantou a questão da falta de patriotismo no termos do Scout e Scouting, durante anos foi polémica levantando muitas e diversas opiniões. E além dos termos que foi falado, levantou-se a questão “Como se escreve? Escutismo ou Escotismo?...Escuteiro ou Escoteiro?” enfim foi uma reflexão geral do vocabulário escutista nacional.

Houve opiniões como “Deve ser Scout, porque foi assim que a associação começou!” contudo, em todo o mundo, os crentes do Escutismo, os ditos Scouts, têm nome diferente, por exemplo em França são os “scouts” e os “Eclaireur”; na Itália, são “exploratori” e no Brasil, tal como os nossos A.E.P utilizam o termo “escoteiro”.

Apesar da tradução da palavra “escuta” ser a palavra espião que não é muito digno de uma associação que educa jovens, encontrou-se uma palavra que ajusta-se melhor à finalidade do “scout”, e essa palavra é Escuteiro. Considerando que Escuteiro é um rapaz/rapariga membro da Associação de Escuteiros, fundada em 1908 por Sir Robert Baden-Powell para promover actividades ao ar livre e desenvolver o caracter, e registou-se também “Escuteiro – Mancebo pertencente a uma associação organizada, que se exercita em serviços humanitários e se prepara para defesa da Pátria!”.

Entretanto só em 1934, é que foi publicado no Regulamento Geral a mudança da designação do C,N,S. para Corpo Nacional de Escutas, e em 1935, a Flor de Lís começou a mencionar o novo nome do Movimento.

Adaptado do texto “A dança entre duas palavras: scout e escuta”
In “Um raide de 70 anos - Região do Porto”, de David Pedrosa