GUIA DE PATRULHA <<

Ser Guia

É notável o papel que desempenha a Equipa no Escutismo. Mas também é certo que ela será, o que fôr o seu Guia. O valor pessoal do Guia, não o duvidemos, irá sempre influir tanto na vida social da Equipa como na vida pessoal de cada individuo que a forma.

Quando um dia perguntaram a Baden-Powell que grau escolheria nos quadros do escutismo se não fosse Chefe Mundial, ele respondeu: "Se me permitissem escolher um posto no Movimento, escolheria o de Guia de Equipa". Com isto queria significar o Grande Chefe, que julgava que o papel mais interessante dentro do escutismo é o de Guia de Equipa.


O fim do guia é formar.

Os meios do guia são o exemplo e ser um irmão mais velho.

Por outras palavras, o guia deve ser:


O melhor escuteiro da patrulha/equipa

O Guia é o melhor Escuta da patrulha/equipa, é o condutor, é o herói, é a bandeira viva dos seus Escuteiros.

O Guia deve pensar da seguinte forma:

"Dar Exemplo! Melhor ainda; ser um exemplo Vivo."

Mas para se ser um exemplo vivo de ideal Escutista é necessário que o guia seja um valor em todos os campos sem excepção; só assim se realizará o equilibrio do homem completo e do cristão perfeito.


Valor Técnico

Melhor, um Valor Escutista. É absolutamente necessário que os seus escutas tenham a certeza que com o seu Guia nunca ficarão inactivos (porque a Técnica Escutista é esse conhecimento inteligente dos mil e um meios de sair-se bem, de desenvolver-se em todas as matérias e circunstâncias e de ser capaz de ajudar os outros).

Não servirá ao Guia ser portador de lindas insignias, ser bom em técnica, se não viver como Escuteiro, isto é, se não fizer uso de tudo o que aprendeu e não procurar que os outros tenham também a sorte de o aproveitarem.

Torna-se pois necessário que a vida do Guia seja toda cheia disso a que nós chamamos "Espírito Escutista".

Por exemplo, de nada servirá ao Guia possuir a competência de Campista, se deizar caido o seu machado em qualquer canto, de qualquer modo e à chuva, para que se enferruge.

Numa palavra: de nada serve ao Guia possuir a Etapa de Prata ou de Ouro se a cada momento não corresponder à insignia que usa na manga, e se a cada instante não mostrar aos seus irmãos, não as cores dessa classificação, mas os actos que dela nascem. Não são as insignias que fazem o Escuteiro e muito menos ainda o Guia de patrulha/equipa.


Valor Físico

O Guia de patrulha/equipa deve ter cuidado com o seu corpo e que o robusteça o mais possível. O Guia deve procurar desenvolver as suas forças corporais ao mesmo tempo que a sua capacidade intelectual.

Assim o Guia estará mais forte e duro para ajudar o próximo.


Valor Intelectual

O Guia de patrulha/equipa deve saber bem o que significa o 2º Artigo da Lei do Escuta, "Ser Leal" ou o 3º Artigo, "Ser útil e praticar diáriamente uma boa acção". É importante que o Guia desempenhe o seu cargo como um Homem hábil no seu oficio e digno dessa tamanha responsabilidade.

O Guia não deve esquecer nunca que para dar mais é preciso também ter mais, procurando conhecer um pouco de tudo, para que nunca sinta dificuldade em se apresentar diante de uma pessoa culta.


Valor Moral

O Guia deve pensar que o seu carácter não se deixará de reflectir em cada um dos seus companheiros. Deve pensar que os seus companheiros as irão imitar primeiro as qualidades que vêm do seu Guia, no entanto, também imitarão os seus defeitos.

Foi uma grande invenção esta a de Baden-Powell ao criar o Sistema de Equipas: descobriu um espelho que multiplica sete vezes a sua própria imagem. A Equipa é um cristal de 8 faces. Se o Guia rir, a sua Equipa também o fará, se o Guia ficar aborrecido, toda a sua Equipa também o ficará.

Entre as qualidades que deve possuir um Guia existem três que são de destacar:

Sinceridade – Ser uma alma recta duma só palavra. Não há nada mais belo do que ouvir dizer a um Escuta: "Disse-o o Guia, portanto é verdade". Diante dos seus companheiros, diante dos seus chefes, tudo o que o Guia disser deve corresponder exactamente ao que ele pensa, e ao que ele faz.

Firmeza – A firmeza de carácter não é o resultado de um minuto de entusiasmo; é o fruto de um prolongado e aturado treino diário, formado por uma série de esforços e hábitos muito simples mas persistentes: supõe trabalho regular, vida dura, não permite nada feito a meias, nem a inacção nem o deixar-se levar pela maré.

Sacrifício – Há um limite que é sempre necessário ultrapassar:

"Enquanto não se deu tudo, ainda não se deu nada"

Portanto o Guia deve entregar-se aos seus irmãos escutas, dar-lhes o seu corpo e a sua alma, deve dar-se sem medida, deve sacrificar-se ao Senhor, sem esperar nunca qualquer tipo de recompensa.


Valor Religioso

Principalmente nada de beatices fora de lugar e falhas de naturalidade. O Guia é observado pelos seus irmãos escutas, e assim cai no ridículo e perderá a sua influência espiritual sobre os seus escuteiros. O Guia deve, pelo contrário, ter convicções bem fundadas que se traduzam posteriormente numa piedade simples, espontânea e profunda, acompanhada de uma confiança ilimitada em Deus. O Guia que vive a sua fé com toda a simplicidade e convicção poderá ter sobre os seus Escuteiros uma influência comunicativa maior do que mediante uma religiosidade falsa.


O Treinador

Disse um dia Proebel "é necessário que a vida do rapaz seja uma festa contínua; ele deve formar-se por meio do jogo, da alegria e da amizade. Baden-Powell para corresponder a esse desejo criou para os rapazes e raparigas algo de formidável onde eles possam desenvolver-se numa atmosfera de alegria e de bom humor". Eis o Escutismo que ele criou sobrepondo dois quadros cheios de actrativos: O quadro do ideal cavalheiresco e o quadro da vida de explorador, dos quais fez nascer a bela aventura da Vida Escutista.

O Guia encontra aqui a sua grande missão, fazer dos seus rapazes actores desta aventura, sendo ele o mesmo realizador e um dos actores. Quanto mais viva for a realização, mais animado, agradável e feliz sairá o filme.

Treinando os seus escuteiros, estusiasmando-os, amando-os e assim eles seguirão o seu guia até ao final, evitando o aborrecimento nas actividades de equipa, procurando criar cada vez mais qualquer coisa de novo, sem parar, vivendo sempre com o ideal de seguir sempre em frente até ao mais longe possível.

Em tudo onde o Guia participe, deve ele acabar com os momentos vazios, cheios de palavras e de circunstância sem qualquer finalidade, porque antes de mais uma palavra clara e directa vale mais do que muitas palavras ocas.

A missão do Guia passa nada mais do que ser o Treinador, aquele que rega o que está árido, o Irmão Mais Velho, aquele que cura o que está ferido, o Modelador, aquele que dobra o que é duro e que aquece o que está frio, e finalmente o Exemplo, aquele que guia os passos dos desencaminhados.


O Modelador

Para o Guia obter bons resultados com o seu trabalho precisa de ter: sacrificio, dedicação, exemplo, franqueza, coragem, energia, pois a grande condição indispensável para se exercer uma acção de formação junto dos seus escuteiros é o seu exemplo como Guia.

O Guia não deve esquecer, que deve partilhar esta missão de formação, com os seus Chefes, com o Assistente, com o seu Sub-Guia, pois deles exige-se a colaboração nesse sentido.

Importante é que o Guia nunca esqueça que a sua presença não deverá nunca apagar o individualismo de cada um dos seus elementos. Por outro lado é bastante positivo que cada rapaz saiba que o seu Guia está sempre pronto para o ajudar e que pode contar sempre com ele.

O Guia não é mais do que o modelador hábil que do barro mais resistente, dos caracteres mais difíceis, consegue fabricar autênticas obras de arte, Escuteiros conscientes, Homens para a Vida.

O Guia antes de realizar esforços por formar os seus elementos, tem que os conhecer bem, assim que os mesmos entrem para a sua equipa, assim será uma demonstração de que o Guia se interessa pelos seus elementos, conhecendo os seus interesses, os seus gostos, os seus divertimentos, os seus estudos, a sua vida familiar e a sua vida no seio do seu Grupo.


O Responsável

O Guia deve ser responsável e isso implica saber responder pelos seus actos em qualquer momento. Partimos pelo prossuposto que todo o Verdadeiro Guia é responsável, mas a sua responsabilidade situa-se até que ponto? Quem é que é responsável pelo Guia?

Primeiramente, o Guia é responsável pela sua própria pessoa. Como sabemos, do Guia depende outras sete pessoas, que o seguem, que o examinam, que colocam várias provas e obstáculos ao seu carácter e que conhecem melhor o Guia que o próprio Guia e finalmente são sete pessoas que imitam o seu Guia, quer nas virtudes quer nos defeitos.

Tudo o que acontecer dentro das competências do Guia aos seus Escuteiros dependerá quase sempre do Guia e do seu Sub-Guia e da vontade de ambos. É necessário que o Guia e Sub-Guia saibam primeiramente o que desejam para si e depois de o saberem concretamente é que saberão o que querem para os outros.

Resumindo, conclui-se que o Guia não é leal se exigir dos outros seus elementos algo que não exige de si, se lhes impor normas ou regras e é ele o primeiro a desobedecê-las. O Guia deve sempre pensar num grau de exigência maior em relação a si do que dos seus elementos.

O Guia é Responsável pela sua patrulha/equipa, pois ele responde pela sua equipa onde quer se seja, quer em reuniões, quer em actividades, quer em jogos.

Por isso o Guia é responsável pelo espírito da sua patrulha/equipa, e portanto deve ser o Guia que o deve incutir nos seus irmãos escutas.

O Guia é também responsável pelo seu Grupo, pois ao Guia cabe um papel fundamental na discussão da vida do grupo a que pertence. O Guia não deve nunca deixar esse papel de lado, pois essa incumbência que é dada ao Guia deve ser utilizada da melhor forma. Se a Chefia necessita do apoio dos seus Guias no sentido de lhes ouvir as suas opiniões, informar sobre algumas indicações, falar sobre o espírito entre as equipas do Grupo e decidir os passos da caminhada do Grupo, o Guia tem uma grande quota de responsabilidade sobre as orientações tomadas e realizadas pelo seu Grupo.

Por último, o Guia é Responsável por cada um dos Seus Elementos, pois o Guia é que deve ser o primeiro a fazer com que os seus elementos adquiram o verdadeiro Espírito Escutista, o espírito que se encontra presente na Lei do Escuta.

O Guia não é apenas aquele que se diverte com os seus elementos, mas sim aquele a quem compete fundamentalmente velar pela formação moral, intelectual, física, técnica e religiosa dos seus elementos, é responsável pelos que abandonaram o escutismo, é responsável por aqueles que nunca sentiram o escutismo.

Adaptado do livro "Pistas para o Guia de Patrulha"