
20 a 29 de Agosto de 1934
Benfica - Lisboa
Antes
"Na história gloriosa do C.N.S. destacam-se entre os seus feitos mais marcantes, como marcos milenários, os seus Acampamentos Nacionais.
A primeira coisa de que os Grupos e demais Unidades devem tratar é do fardamento dos seus rapazes.
O campo tem água excelente, piscinas de natação e é totalmente fechado, ainda que continuamente servido por comboios e eléctricos.
As despesas de alimentação estão calculadas em 5$00 diários por pessoa.
à semelhança do que se fez no "IV", em Braga, será publicado um jornal de campo.
O local escolhido foi a Quinta do Magistério Primário e para uma boa organização, foram criadas as seguintes comissões, central, campo, abastecimentos, propaganda e imprensa, recepção e alojamentos, excursões e transportes. É em Lisboa que queremos mostrar a vitalidade pujante da nossa associação."
Durante
O V Acampamento Nacional deste movimento, agora com novo nome - Corpo Nacional de Escutas - foi inaugurado no dia 20, às 18h. Foi uma cerimónia cheia de rigor e primor nas formaturas, cheios de palavras de apreço vindas das mais importantes figuras do C.N.E. como também das autoridades governamentais.
Conta-se que os primeiros dias de campo, destinavam-se somente à vida em campo, construção da chamada "cidade de lona", trabalho árduo sempre habitual em todos os acampamentos.
O jornal de campo ou "o V" começou a ser um êxito logo no primeiro dia o que sugeria uma boa continuação de sucesso.
No dia 24, o contingente saiu de campo para efectuar um desfile em parada pelas ruas de Lisboa. Os escuteiros estavam aprumados para formarem uma brilhante apresentação a toda a população de Lisboa.
D. José de Lencastre verificou todos os membros dos contingentes das Regiões, para certificar que estava tudo preparado para a parada.
Os escutas deslocaram-se até à Rotunda, conduzidos em eléctricos. O desfile teve início na Praça Marquês de Pombal, percorreu a Avenida da Liberdade, passou pelo Restauradores, Rossio, Rua do Ouro e Terreiro do Paço. Ao longo da parada, os Escutas foram sempre entusiasticamente aplaudidos pela população. No Terreiro do Paço, enquanto os Escutas eram observados, com admiração pelos representantes do Governo, um avião sobrevoava o local mandando panfletos de propaganda ao C.N.E..
Os escutas também participaram em muitos passeios pelas ruas de Lisboa, uma delas foi um passeio fluvial pelo Rio Tejo no dia 28, e o círculo turístico de Lisboa-Estoril-Cascais-, Sintra-Queluz-Amadora-Lisboa, no dia 29.
Nesta noite foi oficialmente encerrado o V ACANAC com o Fogo de Conselho, aceso pelo Dr. Antonino Pestana e pelo Dr. Martins Gonçalves, inspector-mór do C.N.E. que depois proferiu um entusiasmado discurso, motivando os jovens presentes a praticar na sua vida, todos os ensinamentos aprendidos neste Acampamento.
Depois
"Ainda não cessaram os ecos do V Acampamento Nacional.
Temos recebido inúmeras cartas onde fazem as mais lisonjeiras referências ao acampamento e ao Escutismo Católico. «E a melhor escola que hoje existe em Portugal para dar aos rapazes uma sólida e bem orientada formação moral.»
Em nenhum outro Acampamento se tiraram tantas fotografias, o que possibilitou a organização de um álbum.
"- Olh'ó Jornal do «V»! Saiu agora mesmo da máquina! Notícias frescas!
- Olha lá ó ardina, esse jornaleco que tu vendes é dos esquerdas ou dos direitas?
- O Sr. Doutor, eu só ando para a frente!..."