9 a 18 de Agosto de 1946
Quinta dos Cardais – Tomar
Antes
"Para o próximo Acampamento Nacional, calculem que há um maduro que vai propor, nada mais nada menos, que... uma exposição de carecas! O fotógrafo de campo será o "olho de lince" e estará atento ao evento acima referido, dado irem fundar o Sindicato Nacional dos Carecas.
Diariamente, o Quartel General publicará Ordens de Serviço, que serão lidas no início dos Fogos de Conselho.
Ninguém poderá vender seja o que for aos acampados ou ao público, sem autorização do Q.G.
O uso das calças é apenas permitido aos sacerdotes.
Alarguemos, pois, o passo em direcção ao vale do Nabão. É preciso que vão ao VII muitos Escutas, pois nessas coisas há sempre dorminhocos e atrasados..."
Durante
No dia 9, os Escutas sentiram-se bem recepcionados pela banda que os aguardavam na estação ferroviária de Tomar, havia também camiões militares para transportar o material dos contigentes até campo. O campo ficava a 3 kms de Tomar, contudo foi uma caminhada instrutiva pois os Escutas estavam acompanhados por Guias turísticos que contavam as tradições da terra e a história de Tomar. Logo na primeira noite o acampamento foi "baptizado" com uma leve chuva.
Na manhã seguinte, os Escutas ficaram surpreendidos com os vestígios da chuva nocturna, mas continuaram a sua vida de campo, agora com a ida ao Rio, interrompida mais uma vez pela chuva. Quando a chuva cessou, os Escutas começaram as suas construções de forma que estivesse tudo pronto antes da cerimónia de abertura.
Na manhã seguinte, o tempo apresentava-se mais alegre, não se adivinhava chuva. A manhã resumiu-se a uma cerimónia religiosa seguida por umas promessas, sempre animadas pela fé dos presentes. Às 16h, iniciou-se a abertura oficial de campo, presidida por Dr. José Francisco dos Santos, chefe adjunto de campo, que substituiu neste momento D. José de Lencastre.
Dia 13 foi dedicado aos agradecimentos do C.N.E. às autoridades e entidades que apoiaram a realização do VII, e como de costume, o agradecimento é feito por um majestoso desfile, que se iniciou na Praça de Gualdim Pais e terminou no quartel da Infantaria 15, sempre acompanhado pela população. Em seguida a parada dispersou-se para visitar a cidade.
O dia mais religioso , foi sem duvida, o dia 15, dia da peregrinação de toda a população do VII a Fátima. Fé e dedicação é o que todos os Escutas sentiam nesse dia. Houve uma missa solene que é terminada com o transporte do andor da Virgem Maria. até à capela das Aparições.
Os dois dias seguintes foram momentos de recordar a história portuguesa, com a visita ao Convento de Cristo e ao Castelo dos Templários, no dia 16, e no dia seguinte com a realização de uma peça de teatro denominada "Evocação Histórica", onde se representou os mais importantes eventos da nossa história.
Finalmente o dia 18, registado como um dia inesquecível, marcado por uma animação extraordinária, facto que facilitou o sucesso dos eventos que encerravam a VII. O dia começou com a missa campal, esta celebração teve uma assistência bastante grande pois ,além dos Escutas, contava-se com a presença de inúmeras visitas. Depois segui-se a festa de campo, evento que excedeu largamente as expectativas, pois todas as regiões deram o seu melhor e mais algum, na animação da festa, que foi alegremente assistida pelas autoridades locais. O dia terminou com o habitual último Fogo de Conselho de campo. Nesta altura, já havia saudades nos corações dos Escutas, contudo a boa disposição reinou sempre em campo, depois de jogos e canções, D. José de Lencastre proferiu as habituais motivadoras para quem tem a felicidade de as ouvir, Foram palavras de agradecimento pelo esforço e presença dos presentes e um "até à próxima" incentivando, no espirito dos Escutas, a vontade de estar presente no VIII.
Depois
"O Acampamento Nacional é já uma saudade, mas os seus benefícios são para perdurar - a sua lição é actual. O «VII» há-de ser sempre uma das recordações mais queridas de quantos tiveram a ventura de o viver. Foi este o primeiro Nacional depois do termo da Guerra. O C.N.E. foi a Fátima - cumprindo os votos solenes feitos em Covilhã.
O programa do «VII» foi tão absorvente que obrigou-se a pôr de parte a ideia de reunir em conselho os Dirigentes superiores do nosso C.N.E.
O regresso foi uma vagem enevoada de tristeza, impregnada de evocações saudosas. Até ao VIII Nacional, Irmãos..."
"- Ó Chefe! Eu posso banhar-me? Perguntava um Lobito de Braga, dirigindo-se ao seu Chefe.
- Não, porque podes afogar-te!
- Ó Chefe, eu tenho cuidado.
- Já te disse que não!
- O Chefe, deixe lá!...
- Pois, então, banha-te, mas se afogas, mato-te!"