
13 a 23 de Agosto de 1948
Bom Jesus do Monte – Braga
Antes
"O VIII Nacional tem que ser o triunfo do espírito e do método Escutista, pois que é comemorativo dos 25 anos do C.N.E.
Em campo, exige-se o uniforma regulamentar a rigor para a assistência à missa, saudação às bandeiras, paradas, desfiles e festas oficiais. No restante tempo, permite-se o uso do barrete de bivaque e alpercatas. Os serviços de imprensa e o jornal de campo ficarão a cargo da Flor de Lis.
O Sub-Campo dos Lobitos terá um programa-horário próprio, de harmonia com o seu regulamento especial."
Durante
Este ACANAC marcou uma data importante do C.N.E. pois era o ano das bodas de prata da associação, o que aumentava consideravelmente a importância deste evento. Na chegada de qualquer Acampamento Nacional regista-se sempre o mesmo ambiente, - entusiasmo e curiosidade pelos dias que se seguem -. Ao longo do dia 13, iam chegando as várias delegações, umas com mais horas de viagens que outras mas sempre com o mesmo espírito animado. O local ia enchendo de Escutas, local esse considerando demasiado bom para acolher o VIII, devido ao sua extraordinária verdura e pela sua paisagem.
C.N.E. utilizou sempre os Acampamentos Nacionais para homenagear a Batalha de Aljubarrota e prestar culto a Beato Nuno, e o VIII não foi excepção, por isso, no dia 14 fez-se uma Velada de Armas. Pela noite, as centenas de Escuteiros desfilaram em direcção ao Real Templo do Bom Jesus, uma bela igreja que inspirou o sentimento patriótico de cada um dos assistentes. O dia seguinte seguinte foi cheio de solenidade, de manhã foi uma marcante Missa, em domingo da Assunção; e à tarde os Escutas desfilaram até ao Largo das Três Capelas. Aí, formaram-se em quadrado, e no centro a bandeira Nacional e do C.N.E. eram hasteadas, iniciando assim a cerimónia de abertura do VIII.
No dia 17, a "cidade de lona" ficou deserta. Os moradores saíram para uma visita a Braga, era altura de prestar homenagem às autoridades locais da cidade de Braga.
Os Escutas pararam no Largo Nossa Senhora a Branca para prepararem-se para iniciar o cortejo, Depois da rigorosa revista de D. José de Lencastre, o desfile começou imponente, passando pela Avenida em direcção ao Governo Civil.. Lá, os dirigentes foram recebidos no salão nobre pelo Dr. António Vilas Boas e Alvim, governador civil adjunto. Depois os Escutas desfilaram até à Câmara Municipal, onde, foram igualmente bem recebidos pelo Presidente da Câmara e os seus vereadores. A marcha continuou agora até ao Quartel da Infantaria 3.
Depois de cumprimentar todas estas autoridades, era altura de homenagear o fundador do C.N.E., Rev. D. Manuel Vieira de Matos, agradecendo a sua dedicação para formar o Movimento. Então o cortejo terminou no Cemitério de Braga, junto à sepultura do Fundador.
Um importante registo a referir é a participação, pela primeira vez de um grupo estrangeiro, um antigo escuteiro espanhol, 9 "scouts de France" e três "Unionistes" de França, e que deixaram no final do Acampamento umas impressões muito positivas do VIII. Há testemunhos destes escuteiros no jornal de campo "O VIII" foi um enorme sucesso, rigoroso e, demonstrou ser, mais uma vez, um instrumento muito útil para quem quisesse recordar todos os momentos deste ACANAC.
Dia do Encerramento (23 de Agosto), como em todos os outros ACANAC's é habitual haver uma sentida celebração eucarística, agora com a preciosa ajuda dos Scouts de France que tiveram a bem conseguida função de coro. A missa foi dirigida pelo Rev. Arcebispo. Primaz. À tarde, teve lugar a festa de campo que celebrou também os 25 anos do C.N.E., grande festa esta, sentia-se um orgulho pela associação o que lhe dava uma enorme vitalidade. Estavam presentes muitas individualidades do C.N.E., como também da A.E.P. que quiseram desejar os parabéns à sua congénere.
E assim terminou mais um conseguido Acampamento, depois de 25 anos a educar jovens, sentindo uma enorme força para o futuro.
Depois
"Importa lembrar que a base de todo o trabalho construtivo dentro do C.N.E. é o Espirito e a Lei.
As noites de campo seriam mais se muitos os Escutas e Dirigentes, sobretudo os do núcleo de Guimarães, se tivessem de retirar em cada segunda feira para trabalhar nas fabricas. Neste rescaldo ainda vivo das recordações que nos ficaram do «VIII» é nos grato registar com louvou a atitude da imprensa nacional, que esteve connosco nestas horas de jubilo.
Realmente, o método único de Baden-Powell tem o dom inigualável dum raro equilíbrio. Num acampamento há uma vida simples e cheia de surpresas.
"- Ó Guia! Porque castigas o Pedro?
- Porque ele estava a fazer troça do Chefe, a imitá-lo.
- A imitar-me?!
- Sim Chefe! E era exactamente.
- Que fazia ele?
- Ora! Andava a passear pelo campo com as mãos nos bolsos...e com uma cara de parvo!"